Erro clássico de quem acabou de aprender os indicadores: aplicar a mesma régua em tudo. Você não analisa um banco como uma fábrica de software. Os indicadores universais (ROE, dívida, geração de caixa) valem sempre — mas cada setor tem sinais vitais próprios que contam a história real. E a sua carteira passa por quase todos eles.
Bancos
BBAS3 · BBDC4 · ITSA3 (holding com banco)
Esqueça EV/EBITDA — banco não tem EBITDA útil. Olhe:
- P/VP + ROE (a dupla do módulo 10, ainda mais central aqui).
- Inadimplência (a do agronegócio pressionou o lucro do BB recentemente).
- Índice de Basileia — o colchão de capital para aguentar perdas.
- Índice de eficiência — quanto custa para o banco operar (menor é melhor).
Seguradoras
PSSA3 · CXSE3
O lucro vem de duas fontes:
- Resultado técnico — prêmios menos sinistros, medido pelo índice combinado: (sinistros + despesas) ÷ prêmios. Abaixo de 100% significa que a operação de seguro dá lucro sozinha, antes mesmo de investir o dinheiro.
- Float investido — o caixa dos segurados aplicado, muito sensível à Selic (juro alto engorda esse lucro).
Elétricas e saneamento
EQTL3 · SBSP3 · TAEE11
Negócio regulado: olhe a RAB (base de ativos sobre a qual o retorno é garantido por regra), o prazo da concessão (quando vence o direito de operar), o índice de reajuste (IGP-M/IPCA) e a alavancagem (são setores capital-intensivos, com dívida estrutural).
Commodities
VALE3
Refém do preço da commodity e do ciclo global. O que protege é estar na parte baixa da curva de custo — produzir mais barato que o concorrente permite sobreviver quando o preço despenca. P/L baixo no pico do preço da commodity é cilada (o lucro vai cair junto com o preço).
Construtoras
CURY3 · DIRR3
- VSO (velocidade de vendas) — quão rápido o lançamento é vendido.
- Landbank (banco de terrenos) — o combustível do crescimento futuro.
- Margem REF (a reconhecer) e distratos (cancelamentos de compra).
Software / SaaS
TOTS3
- Receita recorrente / ARR — o que se repete todo mês é o que vale.
- Churn — % de clientes que cancelam; baixo = fosso de custo de troca forte.
- A expansão da base. Aqui o lucro contábil importa menos que o crescimento da receita recorrente.