Sem teste não há aprendizado. Leia cada pergunta, formule a resposta na sua cabeça (ou escreva), e só então abra a resposta. Errar aqui é de graça — é exatamente para isso que serve. São dez perguntas que cobrem o curso inteiro.
1. Uma ação tem P/VP de 0,4. Barata?
Dica
Depende do ROE — P/VP não se lê sozinho. Se o ROE for de 4%, é uma value trap: barata porque é ruim, e pode ficar barata para sempre. Se o ROE fosse alto, aí sim seria oportunidade. Sempre leia P/VP contra o ROE.
2. A empresa A tem ROE de 30%; a B, de 12%. A é melhor máquina?
Dica
Não necessariamente — olhe o ROIC. Se o ROE de 30% da A vem de muita dívida (ROIC baixo), é qualidade de mentira. Se o da B vem de margem e giro com pouca dívida (ROIC alto), a B pode ser a máquina mais limpa. A DuPont revela a fonte.
3. ROIC de 9% com a Selic a 14,5%. A empresa cria ou destrói valor ao crescer?
Dica
Destrói. O ROIC está abaixo do custo de capital (~Selic). Cada real reinvestido rende menos do que renderia na renda fixa — e quanto mais ela cresce, mais valor queima. Crescimento só cria valor com ROIC > custo de capital.
4. Lucro disparou +80%, P/L despencou para 2. Comprar correndo?
Dica
Não — investigue. P/L baixíssimo após um salto de lucro grita "evento não-recorrente" (venda de ativo, crédito tributário). Vá ao release separar o lucro recorrente. Se o ROIC não acompanhou o lucro, era miragem.
5. Por que payout de 110% é um alerta?
Dica
Porque a empresa pagou mais do que lucrou — usando caixa antigo ou venda de ativo. Não se sustenta. Dividendo bom vem do lucro recorrente; payout altíssimo costuma esconder um negócio que parou de crescer.
6. Qual a ordem correta das 4 perguntas do analista?
Dica
Negócio bom? → Dono confiável? → É saudável? → Preço convida? O preço vem por último. Inverter a ordem (começar pelo "está barato") é a origem de quase toda armadilha.
7. Você tem 10 ações, todas bancos e elétricas brasileiras. Diversificado?
Dica
Não — é diversificação de mentira. Alta correlação: caem todas juntas num estresse de juro/risco-país. Diversificação real é ter riscos diferentes (exportadora em dólar, índice global), não só muitos nomes.
8. Margem EBITDA de 45%, margem líquida de 8%. O que isso conta?
Dica
Que o risco está no meio: depreciação pesada (negócio capital-intensivo) e/ou juros de dívida grande. EBITDA esconde; a líquida revela. A distância entre as duas É a história a investigar.
9. Sua ação caiu 25% após uma notícia. O que checar primeiro?
Dica
Se o LUCRO mudou, ou só o preço. Foi um fato material (que muda a tese) ou ruído (que só mexe na cotação)? Se o negócio segue intacto, é o Senhor Mercado em pânico — possivelmente uma oportunidade, não um motivo para vender.
10. Você analisou e ficou na dúvida se a empresa é boa. O que fazer?
Dica
Passo — fora. Na dúvida, não compra. Você não é obrigado a ter opinião sobre nenhuma ação, e não existe "strike": pode deixar mil bolas passarem e só rebater a perfeita. A paciência é a vantagem do investidor individual.
Na sua carteira
Acertou as dez? Então prove na prática: abra o Modo Tutor numa posição sua e rode o método do zero. A teoria só vira sua quando sobrevive ao contato com os números reais.